22 de fevereiro de 2012

só pra ver as estrelas,tio

e hoje coloco de lado todo o meu eu que aqui impera, só para compartilhar...
tenho caminhado todos os dias, caminhado pra mim, sem olhar ou pensar. E hoje já havia caminhado, mas mesmo assim resolvi voltar andando, dessa vez só para observar esse monte de pessoas que andarilham por ai, cada qual na sua correria, na sua velocidade. Podia muito bem me enfiar no metrô e vir direto pra casa, mas perderia essas cenas curiosas e corriqueiras.
Ali, no meio da multidão, do lado do metrô Paraiso tem um pequeno cortiço (para não dizer mini favela) em um terreno abandonado. Todo mundo passa ali na frente, mas poucos observam aquelas diversas familias que vivem ali. Hoje, passando na frente, um pai estava saindo com sua carroça para recolher papéis e nela 2 crianças, deitadas seminuas em um papelão cobertas por uma manta xadrez azul e vermelha me chamou a atenção... e fui seguindo, observando. Será que essas crianças vão lembrar disso daqui 20 anos? Da felicidade boba e ingênua? Da brincadeira de pedir "tia, me ajuda! Dá uma ajuda, tia!" entre sorrisos bobos, os dentes perfeitos, brancos e reluzentes, como numa brincadeira perfeita. Será que essas crianças vão lembrar das luzes do ônibus que passava, para o qual elas olharam com tanto brilho no olhar, ou então para as luzes da cidade... hora vermelhas, hora amarelas ou até brancas. Qual será o destino dessas duas crianças? Tão ingênuas, tão perfeitamente CRIANÇAS... sem saber que já lhes roubaram a inocência, que a sociedade já determinou por elas, brincam ali em seu carro de luxo, com teto solar... "só pra ver as estrelas, tio".
Continuo seguindo-os, curiosa que sou, atenta aos movimentos desses pequeninos e de como o pai brinca com eles, ameaçando voltar pra casa, fazendo onda, levantando o carrinho, dando rodopios no meio da avenida... só pra vê-los gostosamente gargalhar... sigo andando, passo na frente de um bar, a juventude de classe média está ali no seu Happy Hour, comendo e bebendo, demonstrando sua raiva com o "acontecimento do momento" (para o qual nada vão fazer a não ser reclamar, não vão nem tentar mudar...) alheios àquela cena tristemente linda. Ninguem os nota, invisíveis que são. Passo do lado de um senhor deitado no chão, completamente coberto, exceto um olho que acompanha os passos dos transeuntes que o ignoram, ali escondido no canto escuro da rua, ele nota o carro das crianças e , no meio da sua dor, os ignora também. Como se aqueles risos fossem ofensivos. Mas as crianças não querem saber do acontecimento do momento ou do senhor a quem elas ofenderam. Elas só querem ver as estrelas. Nesse céu cinza, a anunciação de chuva, no meio dos prédios, entre a nuvem de poluição. Elas só querem rir e ver estrelas. O pai para o carro para recolher papelão e eu paro à porta da loja como quem não quer nada e continuo ali observando o trio. As crianças descem e observam a vitrine enquanto o pai amassa as caixas na rua, brincam de fazer a pose dos manequins, falam ao segurança da loja "Tio, meu maior sonho é poder ver as estrelas todos os dias" o segurança, intrigado, pergunta porque e o pequenino com toda sua sabedoria de criança responde  "porque elas estão sempre brilhando e iluminam mesmo quando ta escuro!"




"we are all meant to shine, as children do"
=´)

11 de fevereiro de 2012

saudades

parece que já faz tanto tempo... 15 dias, 1 ano, 2 décadas acho que teria dado no mesmo...é quando fico tranquila que mais sinto a saudade, é quando acalmo que você mais faz falta... quando deixo a loucura de lado e procuro meu porto, ficando à deriva, solta na tempestade.
na noite escura e fria, como um marinheiro sem bússola que lembra de casa. Seu cheiro invade minha mente, retorce minhas memórias, traz a tona o que o dia bravamente escondeu. Desenha tão vívido no meu olhar as curvas do seu corpo, o relevo único dos seus músculos, traz a luz do seu sorriso como que propositalmente para iluminar a minha noite. Me agarro a essa luz pra descansar em paz. O mar engole, joga, bate, maltrata, mas tudo bem... as boas lembranças são uma engenhoca cuidadosamente planejada para nos salvar de nós mesmos. e assim fico.

saudades de aninhar no seu peito, olhar no seu olho pela manhã, fazer cafuné, das palhaçadas debaixo do chuveiro, de dançar com você, do seu cheiro gostoso, das mordidas roxas, mas principalmente do seu beijo macio perdido no meio da noite...


desabafo sem desfecho...
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"Somente uma coisa me faria bem agora. Seria adormecer com a cabeça no seu colo, você me dizendo bobagenzinhas gostosas para eu esquecer a ruindade do mundo."
- Clarice Lispector
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e quando é bem pior, é bem pior
vai alem do psicológico e faz falta fisicamente também
as poucas palavras trocadas virtualmente já não satisfazem e falta o toque macio da sua mão na minha pele ou o seu abraço gostoso e o jeito como me encaixo perfeitamente no seu peito
nos dias normais até me viro bem, é até suportável (tirando as noites, mas essas já não quero mais saber)
mas quando é bem pior, é bem pior.
é uma louca vontade de te ligar, de mandar mensagem, de ficar conversando, de te ver e te abraçar, de dormir nos seus braços vendo filme ou ficar sentadinha vendo você trabalhar
é um desejo de simplesmente dormir ao seu lado e poder me enroscar em você durante a noite, é abrir os olhos e ver você sonolento ou me olhando também
é vontade de procurar sua boca no meio da escuridão do quarto e de escolher uma música gostosa pra ouvir, é vontade de transformar seu quarto num cortiço só pra dormir numa cama grande
e de ouvir você reclamando da sua mãe
é daqueles dias que não importa se vc está chato, eu suporto, eu aguento, daqueles dias em que quero te morder, te apertar, beliscar, amassar e ficar pentelhando fazendo carinho repetidamente no mesmo lugar até incomodar.
é... quando é bem pior, é bem pior.